Teatro em alta. O Festival Nordestino que acontece anualmente em
Guaramiranga, na serra de Baturité, aproxima-se e divulga a sua
programação. Este ano, ele acontece entre 13 e 21 de setembro. O
evento é realizado pela Associação dos Amigos da Arte de
Guaramiranga (Agua) e pelo Bureau de Artes Cênicas do Ceará, em
parceria com a Prefeitura e a Secretaria da Cultura do Estado.
Dez companhias participam da Mostra Competitiva. Cada uma fará
duas apresentações. Um dos espetáculos acontece na praça e os
demais apresentam-se nos os dois teatros da cidade que levam o mesmo
nome, Rachel de Queiroz.
Há também as peças convidadas. Trabalhos do Colégio de
Direção do Ceará, de grupos cearenses, do Núcleo de Estudos do
SESC. Além de dois espetáculos nacionais. Dia dos Namorados, que
tem Reginaldo Farias no elenco, deve abrir o evento na sexta-feira
à noite. O encerramento fica por conta do ator Ney Latorraca com a
3 x Teatro.
Novidade este ano são as apresentações à meia-noite que
acontecerá de segunda à sexta. O local ainda não está confirmado
é certa a encenação na madrugada fria da serra.
Cinco cidades vizinhas à Guaramiranga também armam seus palcos
para receber a Mostra Paralela do Maciço de Baturité. Cada uma
poderá conferir três produções cearenses da capital e interior.
Atração também longe da cena. O Festival irá realizar uma
oficina de Crítica Teatral com o diretor da Cia do Latão (SP),
Sérgio de Carvalho; um mini-curso de Sonoridade do Ator, com Elisa
Toledo, e outro de Produção Cultural, com Rômulo Avelar, do Grupo
Galpão (MG).
A extensa programação só foi confirmada há dois dias, após
uma reunião dos realizadores com o Secretário Estadual da Cultura,
Nilton Almeida. Até esta data ainda não estavam garantidos os
recursos para a realização do evento. Oficinas, mini-cursos e
espetáculos convidados estavam agendados mas ainda por confirmar.
Acontece que cerca de 70% do Festival Nordestino de Teatro é
bancado pelo Fundo Estadual de Cultura. E embora houvesse dinheiro
em caixa, não havia disponibilidade orçamentária. Fim de governo,
muitos projetos em andamento, gastos previstos. ''Para liberar a
quantia necessária, o Secretário solicitou uma ampliação do
orçamento''. Solicitação feita. Programação garantida.
Este ano, o festival despertou interesse de companhias dos nove
cantos do Nordeste. Grupos de todos os estados da região
inscreveram-se. Seleção feita, apenas o Piauí ficou de fora.
Pernambuco e Paraíba participam com duas peças cada e os demais,
incluindo aí o Ceará, apresentam um espetáculo.
O número total de inscrições, no entanto, foi inferior em
relação aos últimos anos. Foram trinta e oito grupos, cinco a
menos do que no ano passado e dezesseis a menos do que em 2000.
Fernando Piancó acredita que o número menor de inscrições
deve-se à crise econômica. ''A produção baixa. As companhias
não conseguem montar novos espetáculos. Por isso, não têm o que
mostrar. Também não têm dinheiro para deslocar-se até
Fortaleza'', avalia.
Boa oportunidade, então, para colocar em pauta o tema desta nona
edição do Festival: A Criação e a Produção Teatral .
''Discutir a relação entre cultura e mercado é a bola da vez.
Além da crise generalizada, a maioria dos estados está com as leis
de incentivo paradas, em revisão, isso atinge diretamente as
montagens'', explica Piancó.