A disputa pela Prefeitura de Fortaleza entre o pefelista
Moroni Torgan e a petista Luizianne Lins pode projetar o município
nacionalmente como principal cenário de disputa entre as duas forças
políticas no segundo turno. Um dos sinais veio ontem, com a chegada à
cidade do secretário nacional do PFL, Saulo Queiroz. Nos bastidores
circula a informação de que ele vai participar da coordenação de
campanha de Moroni.
Ex-coordenador da pré-campanha presidencial de
Roseana Sarney (PFL-MA), Saulo disse ontem que uma das estratégias é
montar uma rede de apoio em torno de Moroni de pefelistas de expressão
nacional, a partir da próxima semana. Dois desses nomes já estão
certos: o prefeito reeleito do Rio de Janeiro (RJ) César Maia, e o
prefeito de Salvador (BA) Antônio Imbassahy. Também está prevista a
presença de parlamentares, inclusive do senador e presidente nacional da
sigla, Jorge Bornhausen (SC).
A presença dos dois prefeitos em Fortaleza não
é à toa. Já listados entre os melhores prefeitos do país, eles serão
exibidos como exemplos de competência administrativa. No caso específico
de César Maia, segundo Saulo Queiroz, deverá ser explorada a
implantação da Guarda Municipal do Rio de Janeiro, que segundo o
secretário é um dos expoentes da administração pefelista. ''A Guarda
Municipal do Rio é uma inspiração dos dois'', diz o secretário,
referindo-se a Maia e Moroni.
César Maia estará em Fortaleza no dia 22 de
outubro. Além de tentar alavancar outras candidaturas, o sucesso
eleitoral dele será utilizado pela cúpula do PFL na tentativa de
reaglutinar o partido nacionalmente. Ele acertou a vinda a Fortaleza
diretamente com o senador Bornhausen (SC), durante almoço ontem em
Brasília.
Em relação à Imbassahy, a tática é ainda mais
ousada: ''Salvador e Fortaleza têm muito em comum'', diz Saulo, ao
justificar que se eleito, Moroni vai se beneficiar da ''transferência de
experiência'' da capital baiana para Fortaleza. Ele cita o fato de as
duas cidades estarem no Nordeste e de terem potencial turístico. ''Imbassahy
mudou a cara de Salvador; ele foi um prefeito modelar'', elogia.
Outro fator contribui para que Moroni receba
atenção especial do PFL: o senador César Borges, que concorre em
Salvador com João Henrique (PDT), já conta com a estrutura carlista; o
ex-governador Amazonino Mendes, em Manaus, é mais independente e pouco
identificado com a direção do partido.