Montado num discurso de parcerias administrativas
e se dizendo sem limites ideológicos, o candidato do PFL à Prefeitura de
Fortaleza, Moroni Torgan, avança firme nas costuras políticas em busca
de apoio para o segundo turno. Ontem, o prefeiturável disse que pelo
menos sete partidos estão na mira das negociações. Segundo ele, a
coligação Nossa Fortaleza (PFL/PAN/PTC) deve bater o martelo e fechar
alianças com o PSL, PHS, PSC e PCO, além de atrair setores do PSDB, PMDB
e PDT.
No primeiro turno, cada um dos pequenos partidos
que agora deve subir no palanque pefelista estava com candidatura
própria: Francisco Caminha (PHS), Niélson Guimarães (PSC) e Antônio
Vidal (PCO). O PSL estava na coligação puxada pelo prefeiturável
derrotado Antônio Cambraia (PSDB). O anúncio oficial do pacote de siglas
deve acontecer na próxima segunda-feira. O POVO apurou que a coligação
trabalha com uma meta de no mínimo 30 vereadores eleitos fazendo a
campanha para o pefelista.
''Não tenho nenhum radicalismo em termos de
apoio'', disse Moroni, entre uma reunião e outra na sede do partido. A
abertura ideológica para ganhar reforço político, diz ele, será
extensiva à equipe administrativa, em caso de vitória no dia 31 de
outubro. Ele nega que postos e cargos no Executivo municipal estejam sendo
moeda de troca nas negociações. ''Não vamos fazer loteamento da
Prefeitura''.
Ele admite, no entanto, que propostas de
candidaturas derrotadas no primeiro turno poderão ser incorporadas ao seu
programa de governo nesse segundo momento da disputa. Ele citou propostas
como o IJF infantil, de Aloísio Carvalho (PMDB), o processo de
licitação pública e prestação de contas na internet, de Heitor
Férrer (PDT), e a proposta de saúde em três turnos, de Inácio Arruda (PCdoB).
Moroni diz que apesar das diferenças pragmáticas
entre PFL e o PT, seu partido não vai embarcar na disputa ideológica.
''O povo de Fortaleza não está preocupado com ideologia'', afirma o
prefeiturável. ''O povo de Fortaleza está preocupado é com quem vai
fazer uma gestão que lhe dê uma qualidade de vida'', completa. Ele
afirma que vai continuar batendo na tecla do combate à corrupção e ao
desperdício na propaganda eleitoral gratuita, que recomeça na
segunda-feira.
Moroni Torgan se mostrou empolgado com a
estratégia de o prefeito eleito do Rio de Janeiro, César Maia, e o atual
prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy, entrarem na campanha. Os dois
correligionários atuarão como cabos eleitorais em Fortaleza, dando
depoimentos sobre administrações do PFL em seus respectivos municípios.
''Eles foram considerados os melhores prefeitos do Brasil; isso mostra que
o PFL tem uma gestão moderna e inovadora''.