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Com críticas ao governo Lula, à política
econômica em curso no país e aos dois candidatos que disputam o segundo
turno à Prefeitura de São Paulo, a direção do PMDB e a deputada Luiza
Erundina (PSB), derrotados no primeiro turno na cidade, anunciaram hoje
serão "independentes" na próxima fase da eleição.
O anúncio foi feito em conjunto para justificar, segundo eles, a
"coerência" da aliança proposta antes da eleição. O
presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP), e o ex-governador Orestes
Quércia liberam a militância e as diferentes forças políticas nos
municípios do país para se manifestarem.
No caso de Erundina, sua posição contraria a decisão da direção
nacional do PSB, que oficializou hoje apoio a Marta Suplicy (PT). A
deputada enviou carta à Executiva Nacional da sigla comunicando sua
posição e, segundo ela, "o partido considerou sua posição, mas
deliberou em favor da candidata do PT".
"Coerentes com as posições que defendemos durante a campanha
eleitoral, decidimos não apoiar nenhum dos dois candidatos, deixando
porém, a decisão sobre em quem votar em aberto aos companheiros dos
partidos", diz o documento assinado por Quércia, Erundina e Temer.
O texto afirma ainda que a coligação PMDB-PSB "questionou, durante
a campanha, a política econômica do país como principal causa dos
graves problemas de São Paulo e de todas as cidades brasileiras".
"Durante a campanha fizemos uma análise crítica do governo federal,
que há anos pune o povo brasileiro com desemprego em massa, arrocho
salarial, aumento da pobreza e das desigualdades sociais", diz o
texto.
Erundina disse ainda que "as duas candidaturas [Marta e José Serra]
não diferem na essência". "Em São Paulo, as duas candidaturas
são absolutamente identificadas, não enquanto pessoas, mas em
significados, que não se diferenciam na essência, e os dois representam
uma política econômica de dois anos do governo FHC com continuidade
aprofundada pelo governo Lula, que é uma política que não interessa a
São Paulo nem ao Brasil."
Com 3,96% dos votos válidos (ou 244.090 votos), Erundina ficou em quarto
lugar na eleição e seu apoio era uma das apostas do PT para reverter a
vantagem de cerca de 470 mil votos conquistada por Serra sobre Marta no
primeiro turno. A "independência" do PMDB e de Erundina
favorece a candidatura de Serra.
Erundina e Temer atribuíram hoje o fracasso nas urnas à polarização da
disputa entre PT e PSDB e ao "voto útil". "Apesar do
desempenho eleitoral, até pela polarização, cumprimos o nosso papel,
marcamos presença política. Havia dois campos, um comprometido com o que
está aí, e o outro para contestar, que era o nosso", disse a
deputada.
Temer afirmou que "desde o primeiro instante houve voto útil" e
que o resultado do primeiro turno exige uma reflexão sobre o processo
eleitoral, o financiamento público de campanhas e a reforma política.
"Nós aqui não tínhamos nada e uns tinham milhões para fazer
campanha."
A direção dos dois partidos negaram "incoerência" em recusar
apoiar a candidatura do PT uma vez que integram a base do governo no
Congresso. "Se fosse incoerência, também seria incoerência o
partido decidir por candidatura própria. Eu não fui candidata de eu
mesma e o PSB não é o PT", disse Erundina.
Temer afirmou que o apoio do seu partido ao governo é "parlamentar e
não eleitoral". "Não há aliança eleitoral com o PT. Firmamos
um compromisso pela governabilidade e isso não significa que você tenha
de aderir a todas as teses do governo e não tenha um projeto
eleitoral."
Os peemedebistas anunciaram ainda que o partido pretende reunir todos os
prefeitos eleitos pela sigla após o segundo turno "para decidir o
que seremos em 2006". Segundo o ex-governador, o encontro visa
"encaminhar a bandeira de um novo PMDB".
Temer disse não esperar que a "independência" em São Paulo
provocará repercussão negativa na base no Congresso e que "a
decisão de manter o PMDB entre os aliados cabe ao governo". "Se
o governo se sentir prejudicado pela nossa reação aqui... É uma
reação do governo."
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