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  15 de outubro de 2004 - da redação em fortaleza  
  Homossexualidade vira tema de campanha em Fortaleza
 

Durou pouco o pacto de não agressão entre os candidatos Moroni Torgan (PFL) e Luizianne Lins (PT) na disputa pelo segundo turno na capital cearense.

No programa de Torgan foi utilizado um humorístico local, que através de termos populares, faz críticas a proposta de Luizianne para os homossexuais caso seja eleita prefeita. A petista propõe que o assunto seja tratado de forma positiva nas escolas. Já o personagem, no programa de rádio de Moroni, diz que se eleita, ela iria "ensinar o lado bom do homossexualismo".

Ainda no programa, uma "mãe" diz que se isso acontecer vai tirar o filho da escola. "Ele tem apenas sete anos; não tem idade para isso", justifica.

A coordenação de campanha da petista entrou na quarta-feira com o primeiro pedido de direito de resposta no horário eleitoral gratuito de rádio, por considerar a propaganda "agressiva" e "maledicente".

A polêmica em torno do posicionamento de Luizianne em relação ao homossexualismo foi iniciada pelo candidato derrotado do PSC à prefeitura, Niélson Queiroz. Em uma entrevista coletiva na última segunda-feira, ele anunciou o apoio a Torgan, por ser contra a livre expressão sexual, que seria pregada pela candidata petista.

Queiroz afirmou que sua decisão seria respaldada pela Bíblia, rechaçando que se tratasse de preconceito. "Não é questão de discriminação, é questão de ideologia. A Bíblia diz que é pecado."

Respaldado por manifesto assinado pelo Movimento Evangélico de Fortaleza, ele questiona no programa de Luizianne 17 itens em defesa dos direitos de gays, lésbicas e bissexuais.

Para tentar contrapor a estratégia adversária, Luizianne tem intensificado os comícios nos bairros mais populares, onde não teve boa votação no primeiro turno e poderia ser afetada pelos novos ataques. Nesses locais, a candidata tem chamado Torgan de o novo Fernando Collor de Mello, em referência ao ex-presidente.

Diferentemente do seu programa gratuito e de apoiadores, Torgan prefere não polemizar sobre o assunto. "O que eu posso dizer é que eu posso discordar das idéias, mas defendo até o fim o direito de expressão."