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A candidata do PT à Prefeitura de
Fortaleza, Luizianne Lins, recebeu hoje a declaração de apoio do
deputado federal Inácio Arruda (PC do B), que, no primeiro turno da
disputa, foi o pivô do racha no PT do Ceará que a deixou sem o respaldo
da cúpula do próprio partido.
Terceiro colocado na eleição, o
deputado atrasou ao máximo o anúncio de seu voto no segundo turno, por
causa da própria derrota inesperada, mas ontem afirmou que vai entrar na
campanha da petista "de corpo e alma". "O que imaginamos
fazer pelas mãos do Inácio, vamos agora passar para as mãos da
Luizianne", disse.
No primeiro turno, parte da cúpula
nacional do PT e do governo federal abandonaram a candidata do próprio
partido para ficar com Inácio, que era então considerado o favorito na
disputa.
Parafraseando os movimentos que marcaram
a divisão do partido, "Sou PT, voto Inácio" e "Sou Lula,
voto Inácio", os apoiadores do ex-candidato lançaram um novo
adesivo, "Sou Inácio, voto Luizianne".
Com a perspectiva de vitória, já que
aparece nas pesquisas de intenção de voto com vantagem sobre seu
adversário, Moroni Torgan (PFL), a petista amenizou o discurso de que
queria apenas apoios incondicionais e ontem falou que precisa dos novos
partidos aliados para governar Fortaleza, caso seja eleita.
A rede de apoios a Luizianne passou a
agregar, neste segundo turno, nove partidos das mais diversas correntes
ideológicas, além de políticos de outras siglas que liberaram seus
filiados.
"Antes, eu não tinha o apoio de
ninguém", disse a petista. "Temos consciência de que sozinhos
não administramos nada", afirmou, em tom ameno.
Segundo ela, a base de seu projeto
político não será mexida, apenas serão acrescidas boas idéias e gente
para executá-las, sem a garantia de cargos a ninguém.
De amanhã até quinta-feira, os
candidatos passam por uma maratona de três debates transmitidos por
veículos de comunicação (dois na TV e um no rádio) e se preparam para
a troca de agressões que marcou todo o segundo turno. Como estratégia,
Luizianne só deverá atacar se for atacada.
Ontem à noite, houve o primeiro debate
televisionado desta reta final, marcado por insinuações, como a feita
por Moroni sobre a família de Luizianne (os pais dela são separados e
ela mesma não mora com o marido, com quem tem um filho) e sobre sua
ideologia marxista. A petista, por sua vez, retribuiu ao chamá-lo de
mórmon, nome dado aos integrantes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos
dos Últimos Dias, rejeitada por alguns grupos evangélicos. O pefelista
respondeu dizendo que é cristão.
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